segunda-feira, 4 de julho de 2011

As igrejas e a homosexualidade

Ultimamente muito tem se falado sobre o Projeto de Lei 122, em particular no que tange à homosexualidade. São várias as discussões sobre o quanto esse Projeto de Lei vai interferir na vida dos evangélicos, se ele fere princípios da Constituição, e outros aspectos tão importantes quanto esses.
Não vou enveredar por essas discussões, mesmo porque muito do que penso já foi amplamente dito, seria “chover no molhado”. Porém dois pontos apenas gostaria de mencionar, sobre os quais ainda não vi tanto debate.

Primeiro, da forma que o assunto vem sendo tratado pela mídia, parece que duas tribos, dois grupos estão se armando e se preparando para enfretamentos: a comunidade GLS (gays, lésbicas e simpatizantes) e a comunidade evangélica. Isso é tudo o que os evangélicos não querem e não precisam. E penso que a comunidade GLS também não. Os evangélicos devem se aproximar e obter a confiança deles a fim de facilitar processos de evangelização e resgate dos que andam por caminhos diferentes dos indicados na Palavra de Deus.

O tema da “Parada Gay” de 2011 deu o tom de enfrentamento ao usar o tema: “Amai-vos uns aos outros – basta de homofobia”. Um excerto bíblico usado de forma errada e no contexto errado, atrelado a um apelo direto à causa GLS.

Os evangélicos não devem alimentar esse sentimento de afronta, e sim, execer o que no diz Romanos 12.18: “Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens”. Isso não significa ser conivente, mas fazer saber sua opinião de forma pacífica. Biblicamente sabemos que devemos orar por todos, inclusive por aqueles dos quais temos reservas.

O segundo ponto é uma pergunta prática: Estamos prontos? A comunidade evangélica está pronta para tratar com a comunidade GLS?
A leitura que faço hoje de muitas igrejas, principalmente as mais tradicionais, é que nós precisamos evangelizar a todos, obedecer ao “Ide e pregai”, isso é certo. Contudo, nas entrelinhas parece que estão dizendo aos fiéis:

“Preguem a todos, mas façam uma triagem, preguem mais para uns que para outros”.

Como nossas comunidades reagiriam se estivesse presente durante o culto um travesti? Ou um transexual, alguém reconhecidamente homosexual,ou mesmo alguém com trejeitos efeminados? Claro que supondo estarem decorosamente bem vestidos.

A impressão que fica é que devemos delegar a ONGs evangélicas o evangelizar e “catequisar” os homosexuais e, só depois, encaminharem essa turma para nossas igrejas.
Não defendo que recebamos homosexuais como membros das nossas comunidades. Devem antes se arrepender e abandonar tais práticas condenadas biblicamente. Mas não podemos fechar as portas (muito menos os ollhos e ouvidos), pois se pregamos que nosso Deus abomina o pecado, mas ama o pecador, quem somos nós para fazermos algum tipo de seleção de quem merece ouvir as Boas Novas da Cruz?

É Deus quem salva, quem escolhe, quem resgata, quem cura.

E não apenas agimos assim com relação à homosexualidade, costumamos rotular e discriminar outras pessoas com outros problemas não menos sérios, como viciados em drogas e/ou álcool. Assim, queremos fazer da igreja um lugar que tenha apenas pessoas “limpas”. Mas às vezes não nos incomoda, por exemplo, receber no nosso arraial um empresário com fama de desonesto, desde que seja fiel dizimista!

Os evangélicos, eu inclusive, precisamos tomar cuidado com essas outras nuances que toda essa polêmica quanto ao PL122 e à homosexualidade tem trazido à tona.

No amor de Cristo, que alcança qualquer criatura Sua,

Enos


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(*) Enos Moura Filho é presbítero
na Primeira I.P. de Guarulhos-SP
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